Futebol para meninos de 6, 7 e 8 anos
Pelo que sei e constatei existem meninos a serem formados por pessoas incompetentes. ISTO É GRAVE desculpem lá, pois estamos a falar de meninos com 6,7 e 8 anos. Como é possivel haver pessoas destas a ensinar crianças... VAMOS GANHAR O JOGO PESSOAL QUE SE LIXE O PASSE E A RECEPÇÃO... BOLA VEM BOLA VAI... ISTO É QUE É FUTEBOL.
E OS PAIS (nem todos) .... que não conseguem perceber que os seus filhos estão no sitio errado... APLAUDEM O TREINADOR QUE DIZ AO SEU ALUNO PARA ENTRAR DEVAGAR QUE É PARA PASSAR O TEMPO UMA VEZ QUE ESTÃO A GANHAR E O JOGO ESTÁ QUASE ACABAR E CHAMAM BURRO AO PROFRESSOR QUE INCENTIVA E CORRIGE OS SEUS ALUNOS DURANTE TODO O JOGO.
COMO É POSSIVEL ...
POR FAVOR LEIAM O TEXTO QUE SE SEGUE E APRENDAM A LIDAR COM CRIANÇAS QUE UM DIA DESEJAM SER UM CRISTIANO RONALDO mas mais importante do que isso aprendam a formar uma criança na sua plenitude especialmente NO SABER ESTAR .
E NÃO É SÓ ENSINAR É PRECISO SABER DAR O EXEMPLO.
BEM VINDOS À CIVILIZAÇÃO ..... FRASE PROFERIDA POR UMA MÃE DE UM ALUNO DO SC ARCOZELO
Com a criação em
Portugal da categoria de “Minis e pré-escolas”
através da Associação Portuguesa das Escolas
de Futebol em 1998, muitos de nós, vimo-nos obrigados a
completar a nossa formação, actualizar a nossa
pedagogia e rever a nossa “linguagem”, a fim de adaptar
tudo o que for possível para o bem das sessões de
Iniciação dos Minis e
Pré-Escolas.
O que nos parece importante, mais que o conhecimento de técnicas específicas, no redor, da táctica ou da estratégia própria do futebol, é o conhecimento dos meninos de 6,7 e 8 anos e, de seguida, saber o que lhes podemos pedir. Isto é básico se queremos participar na evolução harmoniosa dos meninos para conseguir uns bons fins educativos e pedagógicos.
Posto isto temos dois objectivos:
- Em primeiro lugar, recapitular e ordenar 8 anos de prática sobre o terreno com jovens futebolistas de 6,7 e 8 anos
- Em segundo lugar, permitir que os pais, dirigentes ou educadores conheçam melhor esta categoria e apreciem o conteúdo das sessões de Iniciação da Escola de Futebol e os treinos.
A Iniciação ao jogo e o despertar da ilusão pelo mesmo é a missão do futebol para “Minis e pré escolas”. Nada de campeonatos. Nada de selecção. Essencialmente a felicidade de jogar juntos.
Estas são algumas das regras de ouro que devem guiar a nossa actividade. Esta é a nossa filosofia e esperamos que também seja a sua. Encanta-nos estas categorias e falamos delas com ternura mais que com paixão, pois têm uma “frescura” que é o melhor que tem o
desporto em geral e o futebol em particular. O desporto deve ser uma festa...o futebol dos “Minis e pré-escolas” é uma festa. Temos de saber conservá-la...
Não temos intenção de expor conhecimentos técnicos nem profundos conselhos ao menino de 6 – 7 anos. No entanto, parece-nos indispensável que um professor de futebol que tenha a responsabilidade destas categorias, e cuide o seu treino dentro das escolas e clubes, possua as suficientes noções básicas para aconselhar adequadamente os jovens. A nossa única pretensão
é apresentar as ditas noções básicas.
Qual é a primeira fonte de informação?
Essencialmente a observação. Quando os meninos aparecem pela primeira vez a um clube desportivo ou escola, é conveniente deixá-los fazer, observá-los, compreender as suas atitudes, as suas reacções em relação ás propostas, e tudo isto desde o primeiro segundo ao último da sessão. Um conselho: insista muito particularmente sobre a observação do jogo.
Exemplo:
Observe um jovem principiante ao qual lhe confiou o posto de Guarda-redes...
Depois de alguns problemas, oh, milagre! Bloqueia a bola, segura-a com as mãos e a mantêm agarrada como pode sobre o seu peito.
Agora observemos: muito frequentemente até os seus companheiros de jogo lhe pedem a bola, e os adultos que rodeiam o terreno lhe gritam “solta a bola”, o menino não quer separar-se da bola, esse objecto tão desejado, e pelo contrário recua, indo inclusive até por detrás da sua linha de baliza. Trata-se de uma atitude rara ou incompreensível? De modo algum, corresponde absolutamente a uma etapa de egocentrismo, característica desta idade, e que lhe
coloca numa situação na qual o menino tem dificuldade em eleger.
O educador que conheça este problema não tem a mesma reacção que o que a ignora e poderá apresentar a “separação da bola” de outra maneira, realmente mais apropriada: não será este o fundamento da pedagogia?
Antes de ir mais adiante no estudo das diferentes noções, gostava de concretizar algumas reflexões cujo único objectivo é declarar ao máximo o objectivo deste tema. A primeira reflexão consiste no menino, ao qual, por exigências de clareza, vamos desvendar a sua
morfologia, fisiologia, etc. Na realidade, é imprescindível entender que o menino, ainda que imaturo, é uma entidade, e não só com respeito a si mesmo, mas também um ser que tem de situar-se no meio de um envolvimento:
- A sociedade;
- A família;
- A escola;
- Escola de futebol.
Outra reflexão:
O professor do futebol deverá considerar o menino que recorre a ele, não como um “homem em miniatura”, mas como um menino que possui a sua própria personalidade e o seu potencial motor do momento. As características que se descrevem e se atribuem a uma
determinada idade nem sempre têm uma correspondência absoluta com a realidade.
Pode haver falta de concordância no tempo (diferenças entre a idade cronológica e a idade biológica) e pode haver formas de expressão diferentes, pois na época da infância tudo é possível, e o professor não deve surpreender-se com nada. Pelo contrário, pode-se observar também que os meninos passam pelas mesmas fases de desenvolvimento na mesma ordem, mas cada menino, em função da sua personalidade, irá vive-las de modo distinto, mais ou menos intensamente, durante um período mais ou menos longo.
No que diz respeito ao professor, inclinamo-nos a crer muito profundamente, baseados na nossa experiência, que a primeira e a mais importante qualidade que tem de ter perante o menino é a capacidade de intercâmbio, as relações recíprocas, sabendo escutar e interpretar, de modo tal que possa chegar a falar-se de cumplicidade. As restantes qualidades necessárias são a expressão formativa (conhecimento – do menino – a vivência desportiva – o sentido de organização – etc.), mas na nossa opinião não tem de intervir até muito mais longe, e pouco importa se o nosso propósito pode parecer contraditório.
Outra observação:
A palavra “treino” não deve causar medo.
Perante tudo, no meio familiar e cultural, o principiante proclamará bem alto, com alegria e orgulho que “vou ao treino de futebol”. No entanto, é essencial que o treinador utilize correctamente o fim, e considere o conteúdo da sessão, não “como uma redução quantitativa do treino do aluno”, mas como uma sessão que possua o seu próprio sentido específico, e cujos objectivos só estão em função da necessidade do menino, com a preocupação única de enquadrar-se na educação do menino de 6-7 anos. Deste modo podemos evitar qualquer mal entendido, evitando toda a possibilidade de especialização precoce de treino intensivo, expressões que empenham certos educadores, mal informados das nossas actividades, e que se apoiam em certos excessos para tentar justificar as suas convicções.
É necessário descobrir o menino, conhecê-lo. Insistiremos muito particularmente sobre o menino de 6 anos; só ter esta idade quando chega à “escola de futebol”. Por outra parte, é muito interessante analisar as razões da sua inscrição.
Para nós o menino de 6 anos é “um menino em mudança”:
- Afasta-se da sua mãe, apesar de querer seguir junto a ela
- Passa do infantário para a escola primária
- Vai-se iniciar na prática desportiva de um clube ou escola
- Sofre sempre o crescimento
Todos estes transtornos fazem dele um jovem sensível, afectuoso, mas muito mexido, e com um comportamento difícil, que é preciso conhecer absolutamente, a fim de saber a sua
explicação.
Este tema acima apresentado de forma geral, tem uma especificidade que os técnicos e responsáveis pelo treino de crianças e jovens não deverão descorar.
Rui Tátá
Presidente de Direcção da APEF
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